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Valor de reconstrução depois da pandemia e durante a guerra

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Tem sido notícia na comunicação social que, devido aos conflitos na Ucrânia e ao distanciamento entre a Rússia e a restante Europa, têm existido aumentos do preço dos combustíveis.

O que nem todos sabem é que a pandemia e a guerra têm tido uma influência direta na subida do valor de reconstrução dos imóveis em Portugal.

Mas como? E porquê?

A primeira pandemia foi complicada para todos.

Ver-se enclausurado em casa não é fácil, principalmente para aqueles que vivem num apartamento pequeno, sem varanda ou outro espaço exterior onde desanuviar e respirar ar fresco. Com os filhos em tele escola e os pais em teletrabalho, o espaço que até agora era suficiente passou rapidamente a ser pequeno demais.

A mesa de jantar que tinha o propósito de juntar a família nas refeições transformou-se em sala de aula, em secretária de escritório e em sala de reuniões.

Felizmente, as várias vagas de pandemia foram sendo ultrapassadas.

As escolas retomaram as aulas presenciais e, apesar de já ser possível voltar ao escritório, muitas das empresas continuam com o sistema híbrido de trabalho.

Muitas famílias sentiram a necessidade de procurar uma casa mais espaçosa, com um espaço exterior e com um quarto extra passível de ser transformado em escritório. Como as palavras “espaço” e “grandes cidades” nem sempre são compatíveis, muitos trocaram as cidades metropolitanas pelos subúrbios.

Houve um aumento da procura de casas novas que fez com que a construção disparasse. É a lei da Oferta e da Procura: quando a procura aumenta os preços também aumentam e, quando é necessário construir, o valor da mão de obra é sempre o primeiro a aumentar.

O aumento da gasolina é o segundo fator desta equação.

O afastamento das cidades para obter mais espaço, faz com que, quanto mais longe formos, mais gasolina precisamos. Os construtores precisam de fazer mais quilómetros, os fornecedores pedem mais dinheiro pela entrega dos materiais.

Ou seja, quando as localidades são isoladas e os acessos difíceis, a construção demora mais tempo e os construtores precisam de mais mão de obra… e isto tudo custa dinheiro.

Muitas fábricas fecharam as portas durante a pandemia. E já terão notado que as prateleiras dos hipermercados vão ficando cada vez mais vazias e sem previsão de reposição. Não só na indústria alimentar mas em todos os ramos.

E, claro, na construção também. Há uma escassez enorme de material, em especial de matérias-primas. O preço do aço e de outras matérias-primas dispararam para valores record e, pela primeira vez desde há muito, os valores de indexação indicados pela ASF subiram drasticamente, refletindo esse aumento dos valores dos materiais.

Finalmente, há outro ponto a ter em atenção:

Para os Seguradores o valor de reconstrução real de um imóvel é, em geral, superior ao valor de reconstrução pago pelo proprietário.

O cliente pode controlar custos, pode negociar valores, pode usufruir de descontos adicionais por comprar, a título de exemplo, o chão e os roupeiros no mesmo fornecedor

Mas, no momento do sinistro, os custos não são controlados, os valores não são negociáveis e não existem descontos porque a casa precisa ser reconstruída, e vai ser reconstruída, quer os preços sejam altos ou baixos. Os valores são a preço de tabela, a mão de obra é mais cara e não haverá margem para descontos.

Estes fatores, entre outros, justificam a necessidade de considerar a inflação no valor de reconstrução de uma casa. Que normalmente é feito através da aplicação da indexação estipulada pela ASF trimestralmente, mas que é em primeira instância responsabilidade do próprio cliente.

Se nos dias de hoje existe uma diferença substancial entre o que os proprietários pagam e o que os Seguradores regularizam no momento do sinistro, maior será esta quantos mais anos tiverem passado da data de construção da sua casa.

Por Caroline Fernandes, Subscritora de Arte & Clientes Privados

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