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Alerta Apache

Utopia dos seguros

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Imaginem um mundo sem ciber ataques onde ninguém quer comprometer bases de dados, extorquir dinheiro ou destruir os sistemas informáticos. O “príncipe da Nigéria” nunca deixou de ter acesso ao seu dinheiro e nunca ninguém recebeu um e-mail com um inglês macarrónico a pedir para rastrear uma encomenda através do simples clique num link de construção duvidosa.

Ninguém, porque não existiam portas de entrada, os sistemas não comunicavam…por outras palavras não existia internet e vivíamos numa utopia.

A realidade é que o cibercrime é a consequência da interconexão dos sistemas sejam eles da agenda do Outlook com o calendário do telemóvel ou da máquina de linha de produção com o software que o controla. É tão “natural” como sair à rua e ser roubado – poderíamos viver numa casa com grades e nunca sair dela, mas que vida seria essa?

A internet e a sua maravilhosa oportunidade de nos conectar a todo o instante tanto aos nossos colegas de trabalho como à nossa família do outro lado do oceano, atrai o crime tal como acontece com qualquer ação social. Não pretendo divagar sobre a existência do bem e do mal, as razões para a existência do crime nem muito menos as formas que possam levar ao seu desaparecimento, isso já Cesare Beccaria fez no século XVIII.

Pretendo sim olhar para a situação atual e analisar o que pode ser feito para minimizar as consequências do cibercrime, que nas últimas semanas, meses e anos tem sido figura presente no nosso quotidiano.

A recente digitalização a que a pandemia obrigou levou a uma aceleração e aumento das perdas recentes, no entanto não foi a génese do problema. O escasso investimento das empresas na proteção dos seus sistemas durante décadas aliado à relutância em transferir parte do risco cibernético para as seguradoras fez com que empresas rentáveis sofressem perdas desnecessárias e no limite fechassem portas. (Para quem se identifica com o cenário anterior deixo a dica: existe todo um mundo para além da simples instalação de um antivírus…)

Agora mais do que nunca cabe aos administradores e diretores olharem para as suas empresas, falarem com os seus colaboradores e realmente avaliarem os seus processos internos e externos para saberem quais as vulnerabilidades a que estão sujeitos e como podem fazer face às mesmas. Nunca devem esquecer que as suas escolhas sobre o futuro e segurança podem trazer consequências adversas pelas quais devem responder com o seu património pessoal (a não ser claro que tenham uma apólice de D&O).

O meu conselho é simples: deixem as utopias para Thomas More ou Aldous Huxley e protejam convenientemente os seus sistemas e o seu património confiando nos especialistas.

Não é à toa que o nosso lema é “Especializados. Por Si.”

Por Laura Tavares, Subscritora de Liability & Specialties

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