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Blog - Tremer sem cair

Tremer sem cair

Espaços Patrimoniais

Há alguns dias atrás os telejornais da noite davam conta de um sismo na zona de Rio Maior e o pensamento de muitos Portugueses voltava a ruminar sobre aquele que talvez seja o maior risco que o país enfrenta em matéria de desastres naturais.

Acaba por ser quase natural que nestas alturas nos recordemos da história dos grandes terramotos e nas suas consequências catastróficas, cujo impacto e verdadeiro lastro será difícil de imaginar para quem nunca o experienciou. Um dos meus amigos confidenciava-me por estes dias que durante o terramoto de Sichuan de 2008, altura em que vivia na China, viveu momentos indescritíveis e acrescentava também que ninguém está verdadeiramente preparado para lidar com as réplicas, algumas delas fortes, que podem durar semanas. Felizmente, no caso de Rio Maior tratou-se apenas de um pequeno abalo, sem registo de incidentes ou danos, como na verdade são a maioria dos registos de atividade sísmica em Portugal.

Com efeito, o país preocupa-se com o cenário de um grande terramoto. Os especialistas e os fazedores de opinião apontam para os riscos e para a importância de se adotarem medidas de prevenção e as autoridades e outros organismos da sociedade civil vão-se debruçando sobre o tema em busca de uma melhor preparação, de onde brotam iniciativas como a divulgação de informação útil à população, a realização de simulacros ou o debate sobre o nível de cobertura nacional em matéria de seguros que cubram os fenómenos sísmicos. Sobre este último caso, tem-se por certo que a população e as empresas nacionais não estão cobertas tanto quanto seria útil, o que no caso de um sismo pode deixar o país – e particularmente os afetados – numa posição mais frágil do ponto de vista económico e financeiro.

Ao contrário de outros riscos tipicamente cobertos pelos chamados seguros de multirriscos, como o roubo, as inundações ou os danos causados pela água depois da rotura de um cano, é bastante provável que vivamos toda a nossa vida sem ter que lidar com um terramoto e as suas consequências. Mas como essas consequências podem ser dramáticas do ponto de vista dos danos, torna-se importante olhar com atenção a questão do seguro.

No caso de um sismo de grande intensidade, como o de 1755, pode ser a diferença entre reconstruir a casa onde se vive ou a empresa de que se é proprietário, ou ficar numa posição frágil numa total dependência da ajuda de terceiros e num cenário onde os terceiros poderão eles próprios necessitar de ajuda. Mas mesmo no cenário de um sismo de intensidade média (ou no cenário de uma região mais afastada do epicentro de um sismo forte, mas que ainda assim seja afetada) os danos podem também ser avultados, tanto mais que muitos edifícios não estão verdadeiramente preparados e as suas estruturas, mesmo não colapsando, podem sofrer danos caros de reparar.

Um cuidado especial a ter também com a questão da franquia associada a esta cobertura, tradicionalmente uma percentagem a aplicar sobre o capital seguro. Por exemplo, no caso de uma empresa cujo património esteja seguro por 2.5 milhões de euros, uma franquia de 5% significa que os primeiros 125.000 euros de prejuízo ficam por conta do segurado. Logo, é importante que este avalie as opções disponíveis no mercado por forma a encontrar o melhor equilíbrio entre preço e nível de proteção.

Os acontecimentos da vida fazem-nos recordar, talvez vezes demais, da sabedoria popular que nos diz que depois de casa roubada trancas na porta, mas no caso dos sismos é realmente importante evitar tanto quanto possível que tenhamos que regressar novamente a esse provérbio.

Por Ricardo Azevedo, Diretor Técnico

 

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