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Os riscos de ser Consultor

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Pese embora a consultoria seja hoje um termo amplamente utilizado e que abrange muitas atividades profissionais, no seu âmago esta compreende um conjunto de serviços especializados de aconselhamento a pessoas e organizações.

O mercado da consultoria é hoje constituído por profissionais independentes e empresas de todas as dimensões, que operam nas mais diversas atividades. Sem esquecer, claro está, as grandes empresas de consultoria ou os profissionais e organizações que de algum modo já se encontrem estabelecidos no mercado há vários anos, temos também assistido nas últimas décadas a alguns movimentos de reconversão profissional, o que tem levado a que, em determinada fase das suas vidas, muitas pessoas tenham procurado um rumo diferente para as suas carreiras.

Rumo esse que as leva, não à exploração de uma atividade de prestação de serviços ou produção de bens num sentido, digamos, mais tradicional, mas ao desenvolvimento dessas atividades de apoio especializado. Por exemplo, gestores com elevada experiência comercial no setor industrial ou da grande distribuição que enveredam pelos caminhos da consultoria de vendas.

Estes movimentos dão origem muitas vezes a modelos de trabalho em regime de freelancer ou à constituição de pequenas empresas especializadas, formas de atuação que possuem alguns riscos próprios. Falemos então um pouco desses mesmos riscos.

Para todos aqueles que entram numa determinada atividade, há desde logo alguns desafios que são próprios dessa fase embrionária do ciclo de vida do negócio. Entre eles contam-se a falta de maturação de processos e procedimentos ou a maior necessidade de economizar recursos por forma a apresentar propostas de serviços mais competitivas que permitam ganhar negócios e construir uma base de clientes. Os anos de experiência e as habilitações profissionais daqueles que se lançam no mundo da consultoria são óbvias mais-valias, mas é naturalmente diferente estar ao leme de uma grande organização, já completamente estabelecida no mercado e com processos sólidos e experimentados, do que ter que erguer uma empresa desde as bases. É preciso correr mais riscos.

É importante referir também que em mercados de menor dimensão, como Portugal, é mais difícil às empresas conseguir sobreviver atuando apenas em nichos com elevado grau de especialização. Na prática, pode não haver um conjunto de empresas ou pessoas no mercado a procurar esses serviços de consultoria, inviabilizando assim o potencial de crescimento do negócio. Assim, esses profissionais podem sentir de algum modo a tentação de captar outros clientes, fornecendo serviços que sendo de algum modo similares ou próximos das suas áreas de conhecimento, não se enquadram verdadeiramente na sua área de expertise. Sabemos pois que os erros tendem pois a aparecer com maior frequência onde não temos tanta experiência ou saber.

Falemos por fim da questão da gestão de expetativas. Os consultores procuram fundamentalmente a prestação de um serviço que se baseie na identificação das necessidades dos seus clientes e na criação de soluções e recomendações. Por outro lado, quem contrata um serviço de consultoria procura resultados, vendo no consultor um meio para conseguir alcançar esses mesmos resultados. Mas vale a pena referir que, ainda que o consultor assente o seu trabalho, como é sua obrigação, na realização de processos de análise sólidos e racionais, o alcançar dos resultados de negócio do cliente final é uma questão complexa que depende de uma série de variáveis não controladas pelo consultor.

É por isso importante que todas as partes compreendam previamente o âmbito e alcance dos serviços a prestar e as suas medidas de sucesso e insucesso, de forma que não se gere a posteriori qualquer tipo de conflito entre o consultor e o seu cliente.

O conhecimento e a experiência são aliados de qualquer profissional que procure o sucesso. A boa gestão de risco é aquilo que depois possibilitará a melhor navegação possível no mar agitado das incertezas, assegurando-se uma vida tão longa quanto possível no mundo competitivo dos negócios.

Por Ricardo Azevedo, Diretor Técnico

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