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E se criássemos um produto novo?

mercado segurador Seguros

Quando vamos às compras todos nós gostamos de ter à disposição produtos que se adequem àquilo que necessitamos. A preços justos, claro e de preferência com alguma variedade. As empresas e as pessoas que os produzem também o sabem e procuram por isso estar atentas a todas essas questões. O mundo dos seguros não é exceção à regra e ainda que as várias apólices do mercado não sejam depois colocadas em prateleiras físicas, como os livros ou os detergentes, o processo que envolve a criação e a disponibilização de um novo produto no mercado não é assim tão diferente. Falemos de alguns momentos importantes que fazem parte desse processo.

– A necessidade. Em geral, tudo nasce da identificação de uma determinada necessidade e ao longo dos anos tenho tido oportunidade de assistir a vários desses momentos em que tomamos consciência que há necessidades que podemos ajudar a satisfazer. Clientes que não encontram na oferta existente coberturas adaptadas à sua situação, falta de alternativas, legislação nova que vem impor uma qualquer obrigatoriedade de segurar ou a consciência que a sociedade enfrenta novos riscos e que seria bom que o mercado oferecesse algo. Vale a pena recordar que no surgimento da pandemia muitas pessoas despertaram pela primeira vez para um problema em que nunca tinham pensado, o que gerou novas necessidades.

– A capacidade. Na abordagem ao mercado segurador sobre as tais necessidades que importa satisfazer, é essencial que as seguradoras fiquem convencidas que é uma boa ideia disponibilizar o capital que é necessário para pagar os sinistros que possam vir a ocorrer. Mas vale a pena ter em conta que nem todos os riscos são seguráveis ou, em alguns casos, o preço do seguro seria tão elevado que nenhum comprador o aceitaria pagar. Um exemplo: seria fantástico que um empreendedor pudesse estar protegido contra o risco do seu negócio simplesmente não resultar, mas o risco é tão elevado e a existência de um seguro seria tão distorcedora dos incentivos do empreendedor para realizar um bom trabalho, que nenhuma seguradora aceitaria um risco desse género. Para além destes casos mais extremos, pode também acontecer que não estejam reunidas outras condições que as seguradoras necessitem verificar para embarcar num novo desafio. Como por exemplo a existência de informação que lhes permita compreender e quantificar minimamente o risco a que se irão expor.

– A avaliação. Aqui surgem alguns pontos de interrogação. A decisão de investir num produto novo resulta na melhor aplicação possível dos recursos disponíveis? Os seus benefícios superam os custos? Existe um mercado relevante para o produto? O novo produto pode efetivamente ir ao encontro das necessidades dos potenciais compradores e dos legítimos interesses das seguradoras, resultando num benefício equilibrado para todas as partes envolvidas? Como em qualquer decisão de negócio, a escassez do tempo e dos recursos financeiros obrigam a uma análise que ajudará à tomada de decisão sobre avançar ou não com o desenvolvimento do produto.

– A criação. O seguro é um contrato que se reveste de alguma complexidade e por isso, a sua criação é também ela um processo complexo que obedece a vários procedimentos. Desde logo a sua estruturação e redação base, mas também a necessária revisão técnica e jurídica. No caso dos seguros de caráter obrigatório essa revisão pode pedir também a intervenção da entidade de supervisão. Para além disso, o facto do seguro ser um produto financeiro fortemente regulado, faz com que seja necessário desenvolver alguns materiais de apoio que cumpram com as normas legais, incluindo-se aqui as propostas de seguro ou o documento de informação sobre o produto. E como hoje nada funciona sem as ferramentas digitais, é necessário também todo o trabalho de criação e adaptação ao nível de sistemas informáticos.

– A distribuição. Se o produto existe, importa então torná-lo apelativo, dar-lhe a notoriedade que faça com que as pessoas saibam da sua existência e fazê-lo chegar às mãos de quem dele possa necessitar. Preferencialmente de uma forma simples, rápida e bem informada, para que os seus compradores tenham acesso fácil às soluções sabendo exatamente o que estão a comprar. Sem inconvenientes, dores de cabeça ou quebra de expetativas.

Por Ricardo Azevedo, Diretor Técnico

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