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Arte Digital – Quem compra e porquê?

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Nos últimos tempos temos ouvido falar muito sobre os altos (principalmente) e os baixos das vendas de Arte Digital (ficheiros de dados) ou de Arte Analógica (quadros, fotografia, escultura, a chamada arte física), desde que devidamente autenticados pela presença de um NFT (non-fungible token), um ficheiro digital que certifica a autenticidade e a pertença da obra, a grande custo ambiental, em blockchain de redes de computadores.

Mas muitas vezes nos perguntamos como foi possível este disparar dos valores alcançados por estas obras.

Por norma, temos como principal motivo a popularização dos NFTs como forma de certificar as obras de Arte Digital mas, na verdade, estes já existiam há vários anos de uma forma ou outra, estando ligados umbilicalmente às moedas digitais tais como a Bitcoin ou o Ethereum.

Se é assim, qual foi o ponto de viragem?

Bom, o disparar de valor dessas mesmas moedas, ligado à sua pouca utilização como moeda no mundo físico.

Todos nós sabemos que este tipo de moedas tem valorizado exponencialmente nos últimos tempos. A 1 de Janeiro de 2017, uma Bitcoin valia pouco menos de 1.000 dólares. E a 1 de Outubro de 2020, há 7 meses, valia pouco mais de 10.000 dólares.

No passado mês de Abril de 2021, o valor alcançou o máximo de 58.726,68 dólares.

Para isto muito contribuiu a aposta de alguns fundos investidores neste tipo de moeda, assim como a normalização e aceitação das mesmas por algumas (poucas) empresas, tais como a Tesla e a própria Christie’s, que tornaram a moeda aceitável e viável aos olhos de muita gente.

No entanto, o facto deste tipo de moedas ainda ter pouca utilização prática, e agora ainda menos com Elon Musk a voltar atrás na sua aceitação de algumas delas devido ao elevado custo ambiental, criou toda uma nova classe de multimilionários virtuais com dificuldades em gastar esse dinheiro ou transformá-lo em moeda mais clássica (dólar, euro ou outra), e muita sede de o fazer.

E a arte digital começou a gerar interesse, assim como todo o tipo de colecionismo com um NFT associado, já que podia ser adquirida em plataformas online, que aceitam este tipo de moedas.

Depois das primeiras obras começarem a atingir valores elevados (alguns CryptoPunks, personagens pixelizadas da Larva Labs, por vários milhões de dólares) a própria Christie’s entendeu o potencial deste tipo de arte, dando a possibilidade de, durante o leilão da obra Everydays: The First 5000 Days, de Beeple, a mesma ser licitada em Ethereum.

Esta obra, uma colagem digital de várias obras postadas pelo artista online, acabou sendo adquirida por um criptoinvestidor, Metakovan, por 42.329,453 Ether (cerca de 69,3 milhões de dólares ao câmbio da altura), um valor muito superior ao alcançado pela grande maioria dos artistas plásticos que todos conhecemos. Entre artistas vivos, é neste momento o 3º mais valioso em leilão, apenas ultrapassado por David Hockney e Jeff Koons.

A volatilidade do valor deste tipo de moedas torna pouco prático o seu uso no dia a dia (imaginem pagar uma conta de eletricidade de €100 em Bitcoin para, passados uns meses, terem pago o equivalente a € 500…) o que torna interessante para os donos delas o investimento em bens que depois possam valorizar e ser transacionados em moeda física.

O interesse gerado por Bitcoin ou Ethereum irá, inevitavelmente, levar à normalização das mesmas e a uma utilização mais geral como modo de pagamento, reduzindo a sua volatilidade. E, a soluções alternativas para o custo ambiental.

Mas, até lá, continua a haver muita moeda parada e muito multimilionário digital a investir em arte como forma de investimento.

Por Rui Ferraz, Diretor Comercial

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